Das mãos dos artesãos saem tapetes coloridos, dos mais variados tamanhos e feitios. Outros, como eles, já foram colocados na elite do design europeu e são vendidos para os quatro cantos do mundo. E, não, não partem de um grande cidade: nascem todos em Arganil, vila discreta do interior do distrito de Coimbra e casa da Piódão Group..No interior do País também há projetos vivos, coloridos e em ascensão. Prova disso é a Piódão Group, marca de design de tapetes de luxo que se tem reconvertido e reafirmado ao longo dos últimos 20 anos, num percurso que culminou na distinção da empresa na gala de 2011 dos prestigiados prémios Design Management Europe..Tudo começou em 1992. Com mais dois sócios, Carlos Ribeiro, um antigo presidente da câmara de Arganil, lançou uma pequena produtora de tapetes (com seis trabalhadores), e chamou-lhe Piódão Artesanato e Design, em homenagem a uma terra que lhe dizia muito (Piódão, talvez a mais famosa aldeia de xisto do País). Porém, a morte atravessou-se-lhe no caminho. E foram a filha e o neto, Pedro Pinto Pacheco, atual CEO (presidente executivo), a traçar o percurso de crescimento da empresa..Com o passar dos anos, a Piódão foi-se especializando e sobressaindo pelo design. "Produzia para arquitetos de interiores ou decoradores, mas não conseguia fidelizar o cliente final", recorda Pinto Pacheco. Por isso, decidiu criar uma marca própria. O primeiro "ensaio" foi a designação Designers Pad, com que se foi afirmando no mercado nacional e internacional. Mas, recentemente, a marca mudou. Investiu em "marketing e inovação, dotou-se de uma estrutura mais completa" e virou Piódão Group. .Mas, afinal, o que é que a empresa de Arganil faz? Cria tapetes: "É tudo artesanal, feito à mão, com extremo detalhe, precisão e materiais de primeira qualidade (fibras naturais - como algodão)", descreve Pedro Pinto Pacheco. E pode produzir "praticamente qualquer tipo de desenho, com textura, com altura de pelo, com materiais diferentes, sem quantidades mínimas nem restrição de tamanho ou de forma", seja para clientes particulares ou para famosas empresas de design e decoração..É tudo dirigido à classe alta. E a fórmula tem sido bem-sucedida. "Os nossos tapetes têm um fator uau muito elevado - como costumo dizer. Nas feiras, mesmo que vá comprar lâmpadas ou candeeiros, muita gente para para vê-los e exclama 'uau'", conta o CEO, satisfeito com a crescente afirmação da marca, aquém e além- -fronteiras (exporta 80% da sua produção)..Agora, os "uau" já são ouvidos em 11 países estrangeiros, para onde a Piódão Group vende diretamente (Europa, EUA e Brasil incluídos). A marca chega a muitos outros mercados para onde os seus produtos são revendidos (da Ásia à África). E as exclamações até foram ouvidas em Tallin, palco da gala dos prémios Design Management Europe 2011, onde a empresa ganhou uma menção honrosa, na categoria "melhor gestão numa pequena empresa", pela sua capacidade de "utilizar o design para alcançar uma nova posição de mercado". "Esse prémio é um selo de qualidade muito importante. Ficámos entre as quatro melhores empresas [da categoria]. Fiquei espantado com a forma como demos este salto em tão pouco tempo", conta Pedro Pinto Pacheco..Porém, apesar do grande salto... o CEO não tem vontade de abrandar. Quer continuar a afirmar-se no estrangeiro - "hoje, o mercado nacional acaba na Finlândia" - e promete só descansar "quando estiver nos países mais relevantes do mundo". E nem "o alto custo da interioridade" de Arganil, onde faltam "contacto com profissionais da mesma área" e outras iniciativas empresariais de envergadura, o desmotiva, pois vê o futuro colorido como os seus tapetes.